A (re)ver


A edição de ontem do programa «Linha da Frente» merece ser vista e revista. Pela pertinência do tema e da sua relação com a dignidade numa sociedade que se quer livre e justa e pela exposição que faz da descarada homofobia de um país onde se chega a argumentar que o casamento não é necessário porque os direitos dos homossexuais já são respeitados. Pois... Só se for para os que vivem as suas relações afectivas dentro de um armário, escondidos como nos mais íntimos desejos de quem diz respeitar gays e lésbicas, mas opõe-se à igualdade plena na lei e na vida em sociedade. Porque é isso aquilo a que o artigo 13º se refere: não é o ser igual na privacidade de quatro paredes, mas na vida pública ou na interacção com a comunidade. Igualdade no trabalho, no acesso a bens e serviços e nas relações afectivas, incluindo o seu reconhecimento legal e manifestação pública.

O vídeo do programa pode ser visto aqui. E, a respeito do que diz o Sérgio - sobre a atitude snob dentro do próprio mundo gay - sim, é verdade! Já a senti na pele e já a vi atingir outros.

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4 Responses to “A (re)ver”

  1. # Blogger pinguim

    Não pude ver, mas gravei e vi há bocado.
    Seria bom que essa "gaja" da Isilda Pegado também tivesse visto...
    Espero que, por ter passado em horário nobre na RTP, tenha sido visto por muita gente e teve decerto um impacto muito positivo para a causa GLBT.  

  2. # Blogger B. Hicool

    Tal como Héliocoptero, uma das marcas que o documentário me deixou foi a da discriminação socio-económica-cultural dentro da sociedade LGBT. É um facto que necessita de ser revelado para que seja, como qualquer outro preconceito, desmontado.
    Outra constatação é como a sociedade LGBT não está preparada para apoiar e capacitar os membros necessitados a encarar os custos da visibilidade.
    As acções que ocorreram em 2006 "deram um peixe mas não ensinaram a pescar".
    Parece-me que as associações que existem não estão vocacionadas para esse suporte.  

  3. # Anonymous Anonymous

    é verdade que a falta de solidariedade dentro do próprio mundo lgbt é das feridas que mais podemos lamber, sem curar.

    Devemos à Teresa e à Helena um passo de gigante na medida em que com a iniciativa delas o TC já emitiu acordão a dizer que nada há na Constituição que impeça o casamento homo excepto a falta de legislação adequada, aspecto que já terá sido suprido, ou quase, está em aberto por causa da questão da adopção.

    Digo eu que nem pretendo casar e que ainda hoje sou objecto de um despedimento ilegal e inconstitucional por parte do Estado, pelo que me dizem, e já lá vão quase 5 anos sem conhecer uma decisão do tribunal.

    Tomei posição pública favorável ao casamento homo na esperança de contribuir para que as gerações mais novas não conheçam tanto preconceito e discriminação,por vezes fatais. No entanto não sei. Ficam os meus votos de boa sorte.

    Ah, sim, e palmas para o Sérgio, um gajo porreiro (e bonito), e se há que falar de coragem é lembrarmo-nos dele também.

    z  

  4. # Blogger 日月神教-向左使
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